A REPERCUSSÃO DO PACOTE DO PLANO COLLOR II

Foram as seguintes as primeiras impressões sobre o pacote de medidas econômicas anunciado ontem pelo governo entre as lideranças empresariais e de trabalhadores: Mário Amato, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)-- "Filosoficamente somos contra qualquer tipo de congelamento na economia. Sempre tivemos reservas a este tipo de medida. O caso é que o Brasil é mais importante, e por isso temos que olhar com boa vontade as medidas adotadas". Pedro Armando Ebehardt, presidente do Sindicato das Indústrias de Autopeças-- "Estávamos caminhando de novo para uma situação de hiperinflação e essas medidas visam contornar este quadro". Toshiro Kobayashoi, presidente do Banco de Tóquio-- "A situação atual é bastante crítica. O governo não estava conseguindo segurar os preços com medidas indiretas como controle da liquidez e taxa de juro. Mas o congelamento de preços é uma medida muito difícil. Existem milhares de empresas no país e o governo não dispõe de estrutura para fiscalizar todo mundo. O ajuste não pode ficar só nisso". Abram Szajman, presidente da FECESP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo)-- "Havia necessidade de correção no rumo da economia. Nós tivemos oportunidade de operar livremente, mas a evolução dos preços não respondeu do modo esperado. Infelizmente, o governo teve que optar por um congelamento". Luiz Antônio de Medeiros, coordenador da futura central Força Sindical-- Conheço os empresários. É fácil controlar os salários mas é difícil
35854 controlar preços. Uma parte do empresariado demite pessoal e corta a
35854 produção. Francisco Canindé Pegado, presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores)-- "Uma vez mais os salários são atingidos com a correção pela média. Os preços são congelados pelo pico, pois o próprio governo alimentou a remarcação de preços quando anunciou que estava preparando novas medidas econômicas". Vicente Paulo da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP)-- "Pelo menos um objetivo o governo já atingiu-- o arrocho salarial como nos outros planos. O patrão não vai congelar preços". Roserver Pavan, integrante da Executiva da CUT (Central Única dos Trabalhadores)-- "Mais uma vez o governo congelou os preços no pico e os salários na baixa. O trabalhador sairá perdendo duas vezes" (FSP) (GM).