A ocupação do território brasileiro, que sempre ocorreu de forma desordenada, trouxe graves consequências para o meio ambiente, e para a qualidade de vida nos últimos 20 anos. Essa é a conclusão do Diagnóstico Brasil, produzido e divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sobre o assunto. O consumo de agrotóxicos dobrou entre 1970 e 1984. Metade das indústrias brasileiras tem potencial poluidor. Dois terços da população não têm acesso a redes de esgoto. O crescimento da população nos eixos rodoviários construídos nas regiões Norte e Centro-Oeste para viabilizar o projeto de colonização agrícola do país tem dimensão "catastrófica", segundo o diretor de Geociências do IBGE, Mauro Pereira de Melo. Algumas cidades, em 20 anos (de 1970 a 1991), tiveram sua população aumentada de quatro mil para 157 mil pessoas, "sem infra-estrutura urbana e rural correspondente", segundo ele. Do ponto de vista da agricultura, houve degradação do solo e rendimentos ruins. De um total de 214.156 estabelecimentos industriais, 106.506 eram potencialmente poluidores, o que correspondia a 49,73%, em 1980. As indústrias de transformação de minerais não-metálicos eram as principais responsáveis pela poluição do ar e as metalúrgicas pela poluição da água. A poluição da água, do solo e do ar por agrotóxicos e o desmatamento são as principais questões identificadas como consequências danosas da agricultura sobre o meio ambiente. O consumo de agrotóxicos no país subiu de 27.728 toneladas em 1970 para 50.224 toneladas em 1984 (FSP).