COLA DE SAPATEIRO PODE SER MENOS TÓXICA

A indústria de cola de sapateiro no Brasil pode adotar uma nova fórmula, eliminando ou reduzindo para índices irrisórios o tolueno, solvente tóxico derivado do petróleo e principal responsável pela sensação de euforia que os menores viciados em cola sentem ao inalar o produto. A medida, entretanto, resultaria num aumento de custo estimado em torno de 15% a 20%, segundo um especialista, representante de uma das três maiores fabricantes brasileiras de cola de sapateiro. A eliminação do tolueno é uma sugestão que a presidente da LBA (Legião Brasileira de Assistência), Rosane Collor, faz aos fabricantes de cola, para tentar evitar o uso do produto como alucinógeno por meninos de rua. O tolueno pode ser reduzido no Brasil para índices semelhantes aos empregados pela indústria nos EUA e na Alemanha, mas as indústrias precisarão de pelo menos um ano para se adaptar ao processo, diz o especialista. A fórmula da cola de sapateiro ainda não foi estudada pela Divisão de Produtos do Ministério da Saúde. O responsável pelo setor, Oscar Schubert, embora reconheça que o produto é utilizado de forma indevida, causando danos a saúde, defende a realização de uma análise detalhada de sua fórmula, antes que seja tomada qualquer providência. Ontem, no centro do Rio de Janeiro (capital), meninos de rua compravam cola de sapateiro de traficantes a Cr$1,5 mil o litro. O mesmo produto custa nas lojas Cr$550,00. Os traficantes do produto aceitam também como pagamento relógios, pulseiras e colares roubados pelos menores nas ruas (O Globo).