Pelo menos 50 mil dos quase 300 mil moradores da Favela da Rocinha (zona sul do Rio de Janeiro) deixaram de ir para o emprego ontem, porque o traficante de tóxicos Heraldo Souza da Silva impediu motoristas e cobradores da empresa Transportes Amigos Unidos de trabalharem, durante mais de 12 horas. Desde o primeiro minuto, nenhum ônibus saiu da garagem, na favela. O traficante só permitiu que três ônibus circulassem na Estrada da Gávea, sem cumprir todo o itinerário e com a condição de não cobrarem passagens. A`s 11h, a Polícia Militar determinou que os motoristas recolhessem esses ônibus à garagem, deixando a favela inteiramente sem transporte. Mas, às 12h30, depois de negociações com representantes da empresa, os traficantes permitiram que os 140 ônibus passassem a circular normalmente. Dois inspetores da empresa, que moram na favela, foram demitidos dia 22. Eles são ligados aos traficantes, que não concordaram com a demissão e enviaram à empresa um grupo armado, para tomar satisfações (JB).