O governador eleito do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), deixou as críticas de lado e teve ontem um encontro cordial, de uma hora, com o presidente Fernando Collor, no Palácio do Planalto. Brizola, que na campanha eleitoral chegou a chamar Collor de "filhote da ditadura", saiu do gabinete presidencial afirmando que suas opiniões daquela época "não estão em causa". Para o governador, o que está em causa é a colaboração entre os governos federal e estadual. Ele entregou a Collor uma lista de reivindicações, algumas delas conflitantes com os planos do presidente, como a pretendida estadualização da LIGHT. Em troca, Brizola prometeu fazer "uma oposição bem-intencionada, honesta, à luz do dia, sem sujeiras". Brizola chegou a dizer a Collor, segundo ele mesmo relatou, que pretende seguir a "doutrina" do presidente e "caçar", no Rio, os "marajás" que teriam sido criados pelo atual governador, Moreira Franco (PMDB). Brizola reivindicou ainda dinheiro para o programa dos CIEPs, a devolução da TV Educativa para o estado, a "democratização" do capital da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a transferência, para o Banco do Brasil, de avais que o BANERJ assumiu em relação às obras do metrô. Ao todo, foram 10 itens, que Collor prometeu estudar. O porta-voz da Presidência da República, Cláudio Humberto, disse que Collor considerou a conversa "gratificante". Os demais pedidos de Brizola foram: saúde-- combate à dengue e programas de saúde com suplementação alimentar; segurança-- combate à violência e criminalidade e criação de cinco mil vagas nos presídios; habitação-- acesso às linhas de financiamento da CEF para programa de assentamento, urbanização de favelas e construção de casas populares; meio ambiente-- despoluição da Baía de Guanabara; e BNDES-- desbloqueio do acesso dos órgãos estaduais às linhas de financiamento do banco (FSP) (JC).