O assasinato de menores no Estado do Rio de Janeiro continuará. Esta, pelo menos, é a expectativa dos sociólogos do Centro de Documentação do Centro de Articulação da População Marginalizada (CEAP), que projeta para este ano-- com base nos números oficiais de crimes envolvendo crianças em 1989-- a morte de 420 meninos de rua, de acordo com o estudo Informe sobre o extermínio de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro". O documento foi elaborado pelos sociólogos Jorge Barros e Otair de Oliveira, a assistente social Maria do Socorro e o arquivista Luís Cláudio Oliveira, que chegaram ao total-- com base em estatísticas de entidades de defesa do menor-- de 1.822 menores assassinados no estado entre 1985 e 1990. Os analistas explicaram que fizeram a projeção para 1991 em cima de dados de 1989 porque a Polícia Civil, embora tenha liberado o número geral de homicídios no estado em 1990, não revelou quantos menores foram assassinados. Segundo eles, em 1989 foram mortos 445 menores, representando crescimento de 51,4% em relação a 1988. Em 1989, o total geral de homicídios no estado foi de 3.199, representando queda de 47% em relação ao ano anterior. Isso, porém, não representa redução no número de crianças assassinadas, que permanece crescendo. Esse crescimento se deve, segundo o documento, à impunidade dos grupos de extermínio e ao fortalecimento do tráfico de drogas em áreas carentes. Ali, jovens são empregados com salários mais vantajosos do que os do mercado de trabalho. Através de notícias publicadas em jornais do Rio de Janeiro, entre junho e agosto de 1990, o documento do CEAP relacionou 87 assassinatos de menores naquele período. Cerca de 75% deles eram negros. As mulheres representam 13% do total. A faixa etária que concentra o maior número de assassinatos situa-se entre 15 e 17 anos. Outra informação importante é que 59% dos corpos das vítimas foram encontrados no município do Rio de Janeiro, enquanto a Baixada Fluminense reuniu 25% dos casos. O resultado encontrado produz uma estimativa anual de quase 10 mortes por 100 mil crianças e adolescentes residentes no Estado, mas para a capital, este índice pode ter sido de quase 14 mortes por 100 mil crianças e adolescentes (O Dia).