O governo brasileiro recusou nova proposta dos bancos credores da dívida externa para o pagamento dos juros atrasados de US$8 bilhões acumulados até dezembro. Apresentada na semana passada, em Nova Iorque (EUA), a proposta previa um esquema mais flexível de pagamento dos atrasados, de modo a permitir um alívio de US$2 bilhões ao longo dos próximos três anos, com a redistribuição desse valor nos quatro anos sucessivos. O negociador oficial do Brasil, Jório Dauster, disse ontem, em Brasília, que a iniciativa dos bancos credores é "positiva", mas que "ainda se baseia em cifras superiores ao que o governo considera possível de pagar". Segundo a proposta dos credores, a quitação dos atrasados exigiria que o país desembolsasse US$5,7 bilhões até 1993 e não os US$7,7 bilhões pedidos anteriormente. Em contrapartida, os bancos receberiam US$2,5 bilhões à vista e mais US$775 milhões até 31 de março próximo. Os outros US$5 bilhões do total de juros atrasados seriam transformados em bônus com prazo de sete anos para pagamento, com um ano de carência. O governo brasileiro, segundo Jório Dauster, mantém a proposta de pagar apenas US$2,4 bilhões até 1993, dos quais US$1,2 bilhão de imediato, em dinheiro. Com isso, as duas partes ainda permanecem distantes de um acordo, já que US$3,3 bilhões separam o pedido dos banqueiros para pagamentos até 1993 e US$1,3 bilhão no pagamento à vista (JB).