Quem comprar a Companhia Siderúrgica Nacional estará levando uma mina de
35609 ouro. A comparação feita pelo operário Jairo Alves, de 23 anos, há cinco na empresa de Volta Redonda (RJ), reflete exatamente a realidade da maior usina siderúrgica do país, incluída na lista de privatização do governo. Se a iniciativa privada assumir a siderúrgica, não estará arrematando uma estatal falida. Apesar de sua dívida de US$2,5 bilhões junto ao Tesouro e a outras estatais, a CSN é, até aqui, a maior produtora de folha de flandres do mundo, com todas as unidades de produção informatizadas e patrimônio de US$4,6 bilhões. No ano passado, seu faturamento atingiu US$1,8 bilhão. Vítima frequente de administrações desastrosas, cujo resultado foi um prejuízo de US$7 bilhões na última década, a CSN não foi à lona. Pelo contrário, a empresa está preparada para colocar em funcionamento seu alto-forno no. 2, paralisado desde abril de 1990 para reforma. Com esta obra a CSN aumentará sua capacidade de produção para 4,2 milhões de toneladas de aço líquido este ano. Em 1992, data prevista pelo presidente da empresa, Roberto Procópio Lima Neto, para a entrega da usina à iniciativa privada, a CSN terá atingido sua capacidade máxima de produção, de 4,6 milhões de toneladas de aço líquido. Com o aumento da produção do aço, a CSN amplia, automaticamente, a produção de seu principal produto, a folha de flandres (JB).