CREDORES AUMENTAM OS PRAZOS PARA BRASIL PAGAR ATRASADOS

A contraproposta que os bancos credores entregaram ao embaixador especial para a dívida externa, Jório Dauster, anteontem, em Nova Iorque (EUA), inclui um aumento de dois anos no prazo para o pagamento dos juros atrasados devidos pelo país. O novo plano oferecido pelos banqueiros melhora as condições da última proposta, feita em novembro do ano passado, e aproxima o Comitê Assessor da posição do governo brasileiro nas negociações da dívida. Desta vez, os banqueiros esticaram o prazo de quitação dos atrasados de cinco para sete anos, o que empurra o problema para o próximo governo. Além disso, o Comitê Assessor já aceitou receber parte dessa conta através de bônus (títulos) emitidos pelo Banco Central do Brasil com a garantia (aval) do governo brasileiro. A decisão é inédita, já que em negociações com outros países os bancos credores sempre exigiram títulos garantidos por agências multilaterais de crédito como, por exemplo, o Banco Mundial (BIRD). A partir deste acerto, os negociadores vão começar a trabalhar em relação ao novo tratamento para dívida externa sugerido pelo governo brasileiro, no qual todo o montante do débito seria transformado em bônus de longo prazo (FSP).