Um novo ânimo para a indústria bélica brasileira. É assim que os observadores militares analisam o conflito no Golfo Pérsico, que poderá, no médio prazo, tirar da concordata dois dos maiores fabricantes privados de armamentos do país: a AVIBRÁS e a ENGESA, ambas de São José dos Campos (SP). A primeira entregou à Arabia Saudita, no final do ano passado, 10 mil foguetes para o sistema de saturação "Astros II", no valor de US$60 milhões. A ENGESA espera que o aprofundamento do conflito faça com que os mesmos sauditas se definam pela compra do tanque "Osório", cotado em US$800 mil cada unidade. As duas empresas estão em dificuldades desde o início do ano passado, com dívidas que já chegam a US$500 milhões (para ambas), sendo que parte destes débitos tiveram origem justamente no Oriente Médio. Um dos principais clientes, o Iraque, deixou de honrar uma conta de US$80 milhões com a ENGESA e US$43 milhões com a AVIBRÁS, o que obrigou as duas companhias a apelarem para a concordata. Agora, com a possibilidade de eclosão de um conflito na mesma região e considerando que os sauditas poderão necessitar de munições e equipamentos para o combate, tanto a AVIBRÁS como a ENGESA mantêm a expectativa de que a guerra resulte na realização de novos negócios (JB).