O presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, prevê alta da inflação, recessão mais profunda e até mesmo dificuldades na renegociação da dívida externa brasileira em caso de guerra no Golfo Pérsico. Se a guerra durar de 10 a 20 dias, as consequências não serão importantes para o país, disse. Caso contrário, o governo terá que racionar combustíveis e praticar uma política realista de tarifas, de acordo com a elevação do preço internacional do petróleo. Uma guerra no Golfo Pérsico pode produzir uma depressão na economia
35369 brasileira, dependendo de quanto o país teria que reduzir em volume de
35369 importação de petróleo. Estudos realizados por técnicos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que estão orientando a eventual tomada de decisões da equipe econômica, apontam para cenários de complexa administração. O presidente Fernando Collor poderá lançar mão de dispositivos constitucionais extraordinários caso o Brasil venha a se envolver num possível conflito armado no Golfo Pérsico ou sofra graves consequências decorrentes deste fato. Os estados de defesa e de sítio, empréstimos compulsório e impostos extraordinários são os instrumentos previstos na Carta para esses casos. A possibilidade de racionamento também de álcool combustível divide os dirigentes do setor. Para o presidente da Copersucar, Werther Annicchino, a crise no abastecimento de petróleo seria curta e não justificaria cortes no fornecimento de álcool. Já o vice-presidente da Sopral (Sociedade dos Produtores de Açúcar e Álcool), Lamartine Navarro, acha que deve-se adotar racionamento linear, pois o álcool substituiria a gasolina e ninguém poderia prever a duração da guerra. Os estoques de gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha) atualmente em poder da PETROBRÁS são de 70 mil toneladas, suficiente para apenas cinco dias de consumo (14 mil por dia). A estatal trata o GLP como um produto "crítico", que pode vir a ser racionado em caso de guerra. Os cálculos indicam que faltaria GLP após 18 dias sem importações e mantida a produção nacional de 10 mil toneladas/dia. O DNAEE (Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica) já tem pronto um plano para substituição de combustíveis derivados de petróleo por energia elétrica. O ponto central do plano é o preço favorecido que seria atribuído à eletricidade, para uma clientela composta principalmente por grandes consumidores (concentrada no setor industrial). Num prazo de 30 a 60 dias, esse segmento poderia converter suas máquinas para operá-las a partir de energia elétrica, no lugar de óleo combustível (FSP) (JC) (GM).