O trabalhador que recebe salário-mínimo em São Paulo gastou 92,39% dos seus vencimentos ao longo de 1990 somente para se alimentar. Para comprar 13 alimentos básicos em dezembro, esse trabalhador consumiu 195 horas e 34 minutos de uma jornada de 220 horas. No ano em que completou meio século, o salário-mínimo despencou para seu mais baixo poder de compra, segundo pesquisa da cesta básica do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos). A cesta básica variou, em São Paulo, 1.386% no ano passado, enquanto o mínimo teve uma elevação de 1.021,17% e a inflação oficial de 1.794%. Assim, o salário-mínimo dava para comprar 114 quilos de arroz em dezembro de 1989 e somente a metade no mês passado, 65,9 quilos. Medido pelo feijão, o poder de compra do mínimo caiu de 119,4 quilos para 75,7 quilos no mesmo período. Por região pesquisada, foi a seguinte a variação do custo da cesta básica em dezembro: Belém (PA), 8,96%; Porto Alegre (RS), 7,24%; São Paulo (SP), 8,56%; Curitiba (PR), 9,57%; Florianópolis (SC), 5,97%; Belo Horizonte (MG), 8,44%; Rio de Janeiro (RJ), 10,51%; Brasília (DF), 5,64%; Vitória (ES), 6,93%; Recife (PE), 18,59%; Fortaleza (CE), 21,17%; João Pessoa (PB), 9,16%; e Salvador (BA), 11,79% (FSP) (JC).