BRASIL PERDEU US$300 MILHÕES COM CORRUPÇÃO NA DÍVIDA EXTERNA

O Brasil foi lesado em cerca de US$300 milhões pelos bancos estrangeiros no processo de refinanciamento da dívida externa, devido à cobrança de taxas "por fora" nas operações de repasse interno ("relending") dos recursos externos negociados em 1983 e 1984. Relending são operações de reempréstimo que os bancos privados faziam a clientes brasileiros utilizando-se de depósitos que tinham a seu favor no Banco Central, que abrira uma conta concentrando os pagamentos das amortizações e dos juros da dívida externa quando a falta de divisas em moedas fortes, em 1982, levara a um bloqueio de remessas para o exterior. As taxas cobradas, que não estavam previstas nos acordos de renegociação da dívida, vigoraram até setembro do ano passado, quando o governo suspendeu as operações "relending". O presidente do Banco Central, Fernão Bracher, admite a ocorrência destas irregularidades mas assegura que o novo acordo de renegociação da dívida externa, que envolve o refinanciamento das amortizações vencidas em 1985 e que estão vencendo este ano, inclui cláusulas "que tornam impossível a repetição dessas práticas" (JB).