A desnutrição e outras doenças comuns matam, por dia, cerca de mil crianças menores de quatro anos no Brasil. A média diária mundial é de 40 mil crianças mortas ao dia-- a população do município de São Pedro Da Aldeia, no Rio de Janeiro. Esses são alguns dados do relatório anual Situação Mundial da Infância-- 91, elaborado pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e divulgado ontem em Brasília. Anualmente no Brasil, de cada mil crianças nascidas, 85 vivem em condições precárias de saúde, têm um crescimento deficiente e morrem antes de completar cinco anos. Esse número coloca o Brasil, entre 129 países, no 64o. lugar em índices de mortalidade infantil (até cinco anos de idade). Supera até mesmo as taxas do Irã, 71o. colocado, com 64 mortos para cada mil nascidos. Também têm melhores condições que o Brasil o Paraguai (73o. colocado), a Argentina (81o.), e países pobres como Sri Lanka (83o.), Tailândia (84o.) e Malásia (91o.). Os indicadores do UNICEF mostram, no entanto, que houve uma acentuada dimunuição do número de mortes de crianças de até cinco anos no Brasil de 1960 a 1989. Enquanto em 1960 morriam 159 crianças para cada mil nascimento, em 89 houve 85 mortes para cada grupo de mil nascimentos. O representante do UNICEF no Brasil, John Donohue, citou o caso do Ceará-- onde o governo brasileiro fez investimentos em programas materno-infantis entre 1987 e 1990. Lá, a taxa de mortalidade infantiu caiu 32%. Além do alto índice de mortes diárias, 100 milhões de crianças entre seis e 11 anos não estão na escola. Estima-se que 80 milhões são exploradas como mão-de-obra mal remunerada e que 30 milhões estão nas ruas. A cada minuto, uma mulher morre por problemas com a gravidez ou com o parto. De 20% a 30% dessas mortes são causadas por abortos ilegais. Outra estimativa mostra que dos 142 milhões de crianças que nasceram em 1990 apenas 91% vão sobreviver até os cinco anos, 55% vão terminar a escola primária e 32% a secundária. O UNICEF calcula que seja necessária a aplicação de US$20 bilhões anuais durante a década de 90 para o cumprimento de metas para a melhoria da situação da criança no mundo. O UNICEF diz que é necessário também: redução de 50% nas taxas de mortalidade materna com relação aos níveis de 90; reduzir em 50% as taxas de desnutrição grave e moderada entre menores de cinco anos com relação a 90; acesso universal à educação básica e conclusão da escola primária para, pelo menos, 80% das crianças com idade escolar; redução de pelo menos 50% da taxa de analfabetismo de adultos com relação aos niveis de 90; e, por fim, proteção para as crianças que vivem em circunstâncias particularmentes difíceis, especialmente em situações de conflito armado. O relatório do UNICEF denuncia ainda que há ccerca de 250 mil crianças que ficam cegas, a cada ano, devido à falta de vitamina A, que custa menos de dois centavos de dólar (FSP) (JB).