AUTOLATINA DIZ QUE CONTINUA "SURPRESA" COM O GOVERNO

O vice-presidente de Assuntos Corporativos da Autolatina ("holding" da Ford e Volkswagen), Miguel Jorge, afirmou ontem que a empresa continuava surpresa com a atitude do governo de denunciar a montadora por abuso do poder econômico. Ele negou que houvesse qualquer acordo entre o setor e a equipe econômica para controlar os reajustes dos carros depois da liberação dos preços em julho. Segundo Miguel Jorge, a Autolatina está "absolutamente tranquila" com a afirmação do secretário-executivo do Ministério da Economia, João Maia, de que iria discutir a formação da empresa na Justiça. A Autolatina foi criada em 1o. de julho de 1987, dentro de "todos os trâmites legais", disse o porta-voz da empresa. Desde então, a empresa já teve atritos semelhantes com o governo, por exemplo, nas gestões dos ex-ministros da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega. Em nenhuma dessas polêmicas a empresa voltou atrás nos seus reajustes. No documento distribuído ontem pela Autolatina, a Fiat aparece como a montadora que realizou os maiores reajustes de abril até este mês. Segundo o texto, os carros da multinacional italiana subiram em média 200,05% no período, contra 190,77% na Volkswagen, 185,35% na Ford e 178,74% na General Motors. Para o mesmo período, o índice de inflação da FIPE foi de 229,68%; da FGV, de 196,05; e do IBGE, de 276,94%. No documento, a montadora responsabiliza as indústrias de autopeças e outros fornecedores pelos reajustes praticados, além de qualificá-los, em alguns casos, como monopolistas (únicas no mercado) com fixação de preços "acima do justificado" (FSP).