CRESCE O NÚMERO DE MENORES POBRES NO PAÍS

De 1987 para 1988 o número de menores de 17 anos que viviam com renda familiar per-capita de meio salário-mínimo, no Brasil, cresceu de 51,4% para 54%. Pelo conceito do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estas pessoas vivem em condições de pobreza relativa. Em 1981 esse total era de 57,1%. A melhoria ocorreu em 1986, com o Plano Cruzado. Em 1988, um total de 52,6% de menores do nordeste brasileiro vivia em condição de pobreza absoluta, com renda familiar per-capita de um quarto de salário-mínimo. E 55,8% dos 58 milhões de brasileiros com até 17 anos viviam em domicílios que não contavam sequer com filtro de água. Os dados constam do trabalho "Crianças e Adolescentes--Indicadores Sociais" (1988), preparado pelo IBGE, sob o patrocínio da UNICEF. O levantamento mostra que são "péssimas" as condições de trabalho do menor: apenas 33% têm direito a carteira assinada e 66,5% trabalham 40 horas ou mais por semana. Dos 8,8 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos, 50,2% já trabalham. E também 18% dos 16,2 milhões de crianças entre 10 e 14 anos também já estão incorporadas ao mercado de trabalho. Os ganhos médios do menor trabalhador são de 60% do salário-mínimo. O trabalho mostra ainda que 12,75% dos menores de 17 anos que trabalham participam com mais de 30% na composição da renda de suas famílias (FSP).