Por não confiarem no governo brasileiro, organismos internacionais dos
34860 EUA, Canadá e Alemanha, ligados ao meio ambiente, estão repassando
34860 recursos às entidades particulares que não têm conhecimento suficiente
34860 para realizar projetos importantes no setor. A denúncia foi feita pelo cientista e professor do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo), Aziz AbSaber, durante palestra ontem na Reunião Plenária do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, em Cuiabá (MT), que está debatendo o papel da universidade frente aos problemas ambientais do país. Segundo ele, os recursos que estão sendo distribuídos às entidades não- governamentais são tão volumosos que seriam suficientes para quitar a dívida externa de países pequenos, como, por exemplo, o Uruguai. Para o cientista, o mais grave, entretanto, é o fato de essas verbas estarem sendo repassadas de forma indiscriminada, dispensando até a apresentação de projetos. "Os países ricos pensam que podem ajudar apenas com o envio de dinheiro. Em primeiro lugar, eles precisam conhecer a estrutura dos nossos problemas ambientais e depois exigir projetos que resolvam as questões básicas e urgentes", argumentou. De acordo com Aziz, esses recursos seriam mais bem utilizados caso fossem distribuídos entre as universidades e alguns órgãos do governo ligados à área ambiental, aqueles considerados confiáveis aos olhos da comunidade científica. "Não faltaria no IBAMA um projeto de utilização para esse dinheiro. Com esses recursos, o IBAMA poderia intensificar a fiscalização nos parques e reservas ambientais, que sofrem um processo de depredação; criar infra-estrutura nas reservas extrativistas, onde famílias de seringueiros estão praticamente abandonadas, sem médicos e escolas. Enfim, não faltaria onde empregar essas verbas". Aziz contou ainda que essas entidades não-governamentais solicitam com frequência às universidades ajuda para desenvolver projetos ambientais porque têm dinheiro mas não sabem onde usá-lo (JB).