ACUSADO CONFESSA AO JÚRI ASSASSINATO DE CHICO MENDES

Darcy Alves Pereira, 23 anos, confessou ontem ao Tribunal do Júri de Xapuri (AC) que matou o ecologista e líder sindical Chico Mendes com um tiro de espingarda na noite de 22 de dezembro de 1988. A confissão foi uma surpresa e provoca uma reviravolta no julgamento, mudando completamente a estratégia anunciada pela defesa, que era a de negar a autoria do crime. Com essa tática, a defesa procura transformar o assassinato de qualificado e cometido por motivo torpe e à traição num homicídio simples privilegiado. Darcy teria atirado "por uma causa nobre e social", no caso a defesa do patrimônio do pai. Na avaliação do assistente de acusação, Márcio Tomás Bastos, "a defesa prefeiru jogar o filho obediente às feras para salvar o pai prepotente". Interrogado pelo juiz Adair José Longuini, Darcy isentou seu pai, Darly, de qualquer responsabilidade. A acusação aponta Darly como mandante do crime. Também interrogado, este negou participação no assassinato do líder seringueiro. O julgamento, iniciado às nove horas de ontem, prossegue hoje com o depoimento das testemunhas. O corpo de jurados é composto por sete pessoas: Náder Melo Sarkis-- trabalha na Rádio Difusora de Xapuri. É de família tradicional da cidade; Cleonice Gonçalves de Araújo-- trabalha no Banco do Acre. É também professora primária; Marcos Soares da Silva-- funcionário da SUCAM. Participou do júri que condenou, em junho deste ano, Darcy a 12 anos de prisão, por atirar em seringueiros; Edilson da Silva de Oliveira-- pequeno empresário. Trabalha com compra e venda de borracha; João Jorge Cosmo da Silva-- presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Xapuri. Tem ligações com o PMDB; Miriam Mendonça de Souza-- funcionária da Companhia Industrial de Laticínios do Acre (Cila). Trabalha em Xapuri; e Wagner Saady Maciel-- de família tradicional de Xapuri. O pai é suplente de vereador do PT (FSP) (O ESP) (JB).