O governo frustrou ontem empresários e trabalhadores ao apresentar sua contraproposta às reivindicações conjuntas levadas ao pacto social. A única proposta concreta oferecida pelo governo foi o pagamento de um abono de até 3% sobre os salários de janeiro para os trabalhadores que ganham até 10 salários-mínimos, excluídos os servidores públicos, aposentados e pensionistas. A área econômica recusou as alternativas que significavam alterações na política econômica. Após três horas de reunião, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, anunciou que a entidade não se fará representar no próximo encontro do entendimento nacional, marcado para o próximo dia 17. "O governo enterrou hoje a idéia do entendimento", justificou. O presidente da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos) e da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, disse que vai tentar prosseguir as conversações com o Congresso Nacional, que define esta semana a nova política salarial. "Vou direto ao presidente Collor. Esse abono tem de ser aumentado, sob pena de se tornar motivo de chacota", afirmou. A CGT (Central Geral dos Trabalhadores) deu um prazo até o dia 17 próximo para que o governo reveja sua posição. A proposta conjunta apresentada por empresários e trabalhadores continha várias reivindicações, entre elas a de redução dos juros. O governo respondeu que a queda dos juros depende de um maior equilíbrio das contas públicas federais e, para consegui-lo, seriam necessárias mudanças na Constituição para dar ao Executivo liberdade para cortar despesas. No encontro, o governo se disse disposto a manter as conversações e fez duas promessas: a criação de uma comissão para propor formas de pagamento da dívida governamental com o setor privado, avaliada em US$10 bilhões; e o oferecimento ao Congresso de sugestões para regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas (FSP) (O Globo).