O governo federal decidiu que vai honrar o aval dos compromissos externos assumidos por mutuários do setor público-- estados, municípios, suas empresas e estatais federais-- e cujo pagamento não tem sido feito, em cruzeiros, junto ao Banco Central. Só com juros em atraso, calcula-se em torno de US$2 bilhões a inadimplência do setor público. Para viabilizar a continuidade do processo de negociações com os bancos credores externos, o Tesouro Nacional precisa encontrar caixa ainda este ano de cerca de US$300 milhões e honrar até dezembro o pagamento de 15% dos juros em atraso, em nome dos mutuários inadimplentes. Deste modo, estará recompondo no BC o "funding" (fundo) mínimo para que o país confirme a proposta que fez aos bancos de remeter para o exterior 15% da totalidade de juros em atraso, até dezembro. O pagamento daquele valor adicional em cruzeiros vai viabilizar a remessa em divisas externas para os bancos credores de US$1,2 bilhão este ano, superior portanto aos US$905,7 milhões, valor que tem sido calculado fazendo incidir os 15% apenas sobre a posição de juros em atraso efetivamente depositados no BC até o final de outubro. Aqueles depósitos somavam US$6,038 bilhões (GM).