Quase dois anos depois do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, os sindicalistas rurais do Acre continuam sendo ameaçados. A denúncia foi feita ontem, na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em São Paulo, pelo secretário-geral do Conselho Nacional dos Seringueiros, Osmarino Amâncio Rodrigues, 33 anos. Ele divulgou cópias de bilhetes que o ameaçam de morte e a outros três sindicalistas. Osmarino também afirmou que sua casa, em Brasiléia (AC), foi cercada por pistoleiros no dia 1o. de dezembro. Ele diz que um dos responsáveis pelas novas ameaças é Gentil Alves da Silva, o "Tilin", filho de Alvarino Alves da Silva-- acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Chico Mendes. O sindicalista divulgou cópias dos três bilhetes ameaçando-o e a outros sindicalistas. O primeiro foi encontrado, no dia quatro de novembro, próximo à casa do sindicalista Abraão dos Santos Cardoso, em Brasiléia. No dia seguinte, outro bilhete foi encontrado diante da sede do sindicato da cidade. A última mensagem foi achada na casa do presidente interino do Sindicato de Brasiléia, José Pereira. Osmarino acusou mais três pessoas de estarem envolvidas em crimes contra sindicalistas do Acre: o fazendeiro Crispin Reis; o deputado estadual João Tezza (PL) e o deputado federal Narciso Mendes (PFL) (FSP).