Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento começam a definir os termos da proposta da renegociação plurianual da dívida externa, a ser apresentada à comunidade financeira internacional no final deste ano e início do próximo, com os objetivos de reduzir a transferência líquida de recursos ao exterior, cortar o déficit público, melhorar as finanças das estatais e ampliar o dinheiro disponível para novos investimentos. Segundo as informações, para o setor público, a rolagem da dívida externa de US$79,56 bilhões (posição final de 1985) das 400 entidades governamentais terá que resultar pelo menos nas seguintes vantagens: redução do "spread" médio efetivo pela imediata vigência dos encargos menores sobre o mínimo de 20% da dívida global do país de US$103 bilhões (saldo estimado para março último); aumento do controle do governo sobre o direcionamento do crédito; definições das fontes de financiamento aos orçamentos das principais estatais, com a obtenção de melhor planejamento a longo prazo; adequação do perfil da dívida das principais estatais à sua capacidade de pagamento-- as 13 maiores acumulavam, no início do segundo semestre de 1985, endividamento externo de US$19,96 bilhões; canalização de recursos para projetos de desenvolvimento regional-- norte/nordeste-- e setorial-- reaparelhamento industrial, saneamento, urbanismo e transportes; melhoria da administração e do controle dos reempréstimos; eliminação de ganhos extras dos bancos, mediante a cobrança de despesas e comissões extraordinárias a cada reempréstimo (FSP).