A visita do presidente dos EUA, George Bush, "foi melhor do que esperávamos", disse o ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, ao fazer um balanço oficial da visita, que termina às 9h de hoje. O ministro, no entanto, tinha poucos fatos para sustentar seu otimismo. Os poucos acordos concretizados, em geral genéricos-- entre eles, a autorização para a venda de um supercomputador da IBM ao Brasil (para a estatal EMBRAER)-- já eram esperados há tempo. Sobre a dívida externa, um dos pontos mais importantes, nada foi de fato avançado. O presidente norte-americano e o presidente Fernando Collor reuniram-se durante 45 minutos, em caráter reservado, e depois outros 30 minutos com os ministros e secretários. No Congresso Nacional, George Bush fez um discurso com elogios a Collor. Disse "entender" as preocupações do Brasil com a dívida externa, mas limitou-se a reafirmar a posição oficial norte- americana (reescalonamento de parte da dívida oficial, que seria vinculada a investimentos em projetos ambientais na selva amazônica). O presidente Collor pediu ao presidente Bush que divulgue aos países credores os conceitos que o presidente dos EUA tem emitido sobre a dívida brasileira, de que a negociação deve contemplar uma solução de longo prazo e que dê ao Brasil a oportunidade de recuperar sua saúde econômica. O tema central do discurso de Bush foi a estratégia norte-americana de criar nas Américas "o primeiro hemisfério de comércio livre da história", em referência à Iniciativa Bush", divulgada em junho último. O presidente dos EUA elogiou, nesse quadro, o entendimento entre Brasil e Argentina sobre a questão nuclear, e a iniciativa dos quatro países do Cone Sul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) como um esforço particular de implementar as linhas mestras do plano (Bush) em
34553 geral. Os dois presidentes comentaram a crise no Golfo Pérsico. O presidente Collor disse que a crise está custando ao Brasil US$1,6 bilhão apenas em despesas adicionais com a compra de petróleo. Bush mencionou a contribuição do governo Collor à concretização de sanções econômicas contra o Iraque (FSP) (JB) (GM).