TOLOSA DIZ QUE POBRES BRASILEIROS SE CONCENTRAM NAS CIDADES

Os pobres brasileiros concentram-se nas cidades. Este fenômeno mais recente da concentração de renda do país vem sendo conhecido como metropolização da pobreza, e poderá se agravar de maneira perigosa na década de 90, caso não haja perspectivas de retomada do crescimento econômico a curto prazo, alerta o economista Hamilton C. Tolosa, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) do Ministério da Economia e consultor do Banco Mundial (BIRD), estudioso do assunto. Conforme seus cálculos, até o ano passado as dez grandes metrópoles brasileiras-- Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília-- concentravam 6 milhões de pessoas vivendo na linha da pobreza absoluta, ou seja, com renda de um quarto do salário-mínimo. Em 1976, este contingente era de 2 milhões. Dos 45 milhões de pobres "absolutos", herança que o país carregara da década de 80 para a de 90, 22 milhões já vivem nas cidades e 23 milhões no campo. A tendência atual acelerada pela estagnação da economia nos últimos dez anos é de crescimento da pobreza no setor urbano, tanto em razão do "êxodo rural", quanto de políticas públicas incentivando-os a buscar emprego nas grandes metrópoles, levando ao abandono das cidades médias e pequenas. Dados recentes divulgados por Tolosa em seu trabalho intitulado "Pobreza no Brasil: anos 80" revelam que em cada 10 pobres urbanos, 2 residem nas nove regiões metropolitanas citadas e no Distrito Federal. Dentre estas, o Grande Rio destaca-se com 1,3 milhão de miseráveis, seguidos por São Paulo (943 mil), Recife (915 mil) e Fortaleza (647 mil). A "metropolização da pobreza" é encarada pelo consultor do BIRD como fator futuro de desestabilização do sistema político e econômico, na medida em que o "perfil" do pobre das grandes cidades é bastante diverso do das cidades médias e pequenas e do miserável do campo. Vale observar que o pobre metropolitano é qualitativamente diferente da
34520 sua contraparte residente em cidades menores. Nas metrópoles é maior a
34520 exposição aos meios de comunicação, e a convivência diária com
34520 contrastes de riqueza cria sentimentos de ansiedade e inconformismo com o
34520 status quo"", adverte Tolosa, destacando ainda que, além de inconformado, o pobre das grandes cidades seria politicamente participante e estaria se organizando". A solução do problema passa pela implementação de políticas como as que o BIRD vem pregando atualmente, de reorientar investimentos públicos para educação, saúde, saneamento básico, habitação e transporte (GM).