PF APURA LIGAÇÃO DE EMPRESÁRIOS COM TRAFICANTES

A Polícia Federal está fazendo investigações para identificar em todo o país empresários que estão comprando produtos químicos usados para o refino de cocaína e revendendo-os para os cartéis de Medellín e Cali, na Colômbia. Em São Paulo, uma indústria do ramo químico vem há semanas tendo sua contabilidade examinada pela Receita Federal, Polícia Federal e Secrataria de Fazenda. Segundo denúncias, a empresa estaria vendendo mais de 70% de sua produção para indústrias de plásticos e tintas instaladas em Corumbá (MT), de propriedade dos traficantes. Um estudo sigiloso dos setores de combate aos narcóticos dos EUA, com base nas informações de seus agentes que trabalham na Colômbia, Bolívia e Peru, revelou que os cartéis teriam montado um fundo no Brasil de US$10 bilhões para financiar o refino e o transporte de cocaína. O Brasil, segundo o delegado Roberto Precioso, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal em São Paulo, é hoje o principal corredor dos tóxicos para a Europa, EUA e Oriente Médio. Romeu Tuma, diretor-geral da Polícia Federal, recebeu informações sobre empresas criadas pelos traficantes, em diversos estados, com o objetivo de adquirir os solventes-- tíner, hexano, gasolina e acetona-- que substituem o éter no refino da coca (O ESP).