A política industrial do governo Collor foi duramente criticada ontem, no segundo dia do Fórum Nacional, organizado pelo ex-ministro do Planejamento, Reis Velloso. O economista Winston Fritsch, professor do Departamento de Economia da PUC-RJ, advertiu que será uma "temeridade" para a indústria nacional se o governo mantiver para o ano que vem o início da reforma tarifária, que prevê a redução das alíquotas de importação. "O nível de atividade industrial será muito baixo no próximo ano e a reforma tarifária vai acelerar a tensão sobre a indústria nacional", observou. O debate sobre política industrial e comércio exterior reuniu economistas de várias tendências, mas todos foram unânimes em questionar a política de abertura do governo. "Não temos uma política de desenvolvimento industrial", disse Mauro Arruda, superintendente do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (IEDI), de São Paulo. Para ele, o governo não tem um projeto definido sobre o papel da indústria nacional no desenvolvimento do país. "O medo da concorrência com os importados está levando setores industriais a renunciar à produção local", afirmou. O presidente do Sindicato dos Economistas de São Paulo, Luciano Coutinho, classificou a política de abertura do governo Collor de "perversa". Para ele, a liberalização precisa ter como principal objetivo a competitividade, e não um instrumento de política de preço (JC) (GM).