A NEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

Ao iniciar, às 11h, mais uma reunião com os representantes dos bancos credores, num dos prédios do complexo do CITIBANK, em Nova Iorque (EUA), o embaixador Jório Dauster, negociador da dívida externa brasileira, já tinha uma instrução vinda de Brasília: vir embora. Pelo que ocorrera no dia anterior, a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, estava convencida de que não adiantava Dauster continuar a conversar com os banqueiros. "É melhor voltar logo e não ficar gastando dinheiro de hotel em Nova Iorque", dissera a ministra, segundo uma fonte da equipe econômica. Dauster foi a Nova Iorque, desta vez, porque recebera sinais de que os banqueiros tinham uma resposta à contra-proposta apresentada, na semana anterior, pelo governo brasileiro, consubstanciada na oferta de pagar US$940 milhões dos juros atrasados até o final do ano e mais 25% dos juros que vencem em março do que ano que vem. Ao se reunir novamente com os credores, porém, o embaixador notou que eles não tinham nada de novo a dizer. Daí a irritação de Zélia, e a decisão de trazer o negociador da dívida de volta. Na verdade, a equipe econômica está convencida de que os credores não querem fazer as negociações avançar. Os motivos apontados são os seguintes: Em primeiro lugar, segundo a análise que se faz na equipe de Zélia, eles acham que a próxima visita do presidente George Bush ao Brasil, a se iniciar no próximo dia 3, pode trazer novidades-- "quem sabe o presidente americano consiga arrancar concessões de forma a afrouxar a posição brasileira atual com relação à dívida. Em segundo lugar, os credores trabalhariam com a hipótese de o atual tiroteio contra a ministra da Economia, desencadeado principalmente pelos empresários, vir a desestabilizar a equipe econômica. Isso poderia arrastar igualmente a uma revisão da posição brasileira". Há indícios de que os credores trabalham com a hipótese de
34448 substituição da equipe econômica (FSP) (O ESP) (GM) (JC) (JB).