A dívida externa brasileira elevou-se em junho para US$119,3 bilhões, 3,7% em relação ao saldo de dezembro do ano passado (US$114,7 bilhões). O crescimento maior foi registrado na parcela da dívida de curto prazo (de financiamento ao comércio exterior), que subiu 36,6% e atingiu US$21,6 bilhões. Segundo o Banco Central explica no relatório "Brasil Programa Econômico", isso ocorreu em função do atraso nos pagamentos desde junho de 1989. A dívida de médio e longo prazos, objeto de negociação com o comitê dos credores nesta semana pelo embaixador Jório Dauster, em Nova Iorque, situou-se em US$97,7 bilhões, 1,6% inferior a posição de dezembro do ano passado. O BC atribui à desvalorização do dólar norte-americano em relação às demais moedas a responsabilidade por um aumento de US$187 milhões no saldo da dívida. Os juros da dívida depositados no BC em função da centralização cambial atingiram US$3,7 bilhões. As remessas de lucros de investimentos estrangeiros somaram US$2,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, enquanto do lado do ingresso de divisas no país a cifra registrada é de apenas US$209 milhões. O país desembolsou em serviços diversos para o exterior cerca de US$7,3 bilhões. O pagamento líquido de juros registrou US$4,2 bilhões, menos 10,1% em relação a igual período do ano anterior (GM).