O deputado estadual Erasmo Dias (PDS-SP), ex-secretário de Segurança Pública, confirmou ontem, na CPI da Câmara Municipal de São Paulo-- que investiga a descoberta de ossadas no cemitério de Perus (zona oeste)--, ter disparado uma pistola ao lado do ouvido do preso político Edmundo Gopfert, ex-militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), em 1970. Gopfert fez a revelação anteontem na CPI. Segundo Erasmo Dias, essa técnica era usada pelo Exército para extrair depoimentos de presos políticos. "Mas isso não é tortura". Ele era coronel do Exército e prendeu Gopfert e outros militantes da VPR no Vale da Ribeira, em 1970, quando a organização, comandada por Carlos Lamarca, organizava uma guerrilha na região. Nunca torturei ninguém e nunca alguém foi torturado na minha presença, disse Dias. Ele era secretário de Segurança em 1975, quando ocorreram no DOI-CODI as mortes do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho e também quando ocorreu em 76 a chamada "chacina da Lapa"-- que ele disse ter tido conhecimento depois da ocorrência. "Eu não sabia o que acontecia nas dependências do Exército" (FSP).