ESTUDO REVELA PERIGOS DE ANGRA

Vinte milhões de brasileiros correm o risco de serem atingidos por nuvens radioativas caso haja um acidente nuclear na usina de Angra dos Reis (RJ). Essa estimativa é baseada num relatório secreto feito por técnicos da FURNAS-Centrais Elétricas, que ficou guardado cinco anos nas gavetas da empresa. O "Estudo da Persistência de Direção do Vento do Local da CNAAA (Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto)" aponta a possibilidade de uma "pluma" radioativa-- resíduos radioativos que impregnam a atmosfera em caso de acidente-- liberada por Angra 1 e impulsionada por ventos numa distância de até 200 quilômetros, atingir municípios de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Este é o único estudo do gênero feito sobre Angra 1. Temendo uma catástrofe, o deputado Fábio Feldmann (PSDB-SP) requereu, ontem, ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, a instauração de inquérito para avaliar os riscos do funcionamento de Angra 1. A usina já foi considerada "uma colcha de retalhos" pelos técnicos alemães Jorst Talarek e Claus Frischkorn, do KFA Julich, um dos mais importantes centros de pesquisa nuclear da Alemanha, onde foram treinados parte dos técnicos brasileiros utilizados na usina. O deputado solicitou ainda que se apure as responsabilidades do governo por perdas econômicas lesivas à Nação pela aquisição de equipamentos, materiais e tecnologias inadequados. O acordo nuclear Brasil-Alemanha completou 15 anos e o país já gastou US$7 bilhões e, segundo Feldmann, vem contabilizando prejuízo de US$1 milhão por dia (O ESP).