Levantamento feito pelo economista João Eduardo Furtado, professor na Universidade Estadual Paulista (UNESP), o Brasil exibe enorme contraste entre preços e salários. Ao mesmo tempo em que apresenta a menor participação do salário no produto industrial, os preços médios cobrados pelas indústrias estão entre as maiores do mundo. O trabalho é uma tese de mestrado que ele apresentará, em dezembro, na Faculdade de Economia da Universidade de Campinas (UNICAMP). Furtado levantou dados sobre preços e salários de 40 países, comparando- os com as médias nacionais, e considera os números preocupantes. No Brasil, os salários representam 17% do produto industrial, menos da metade da média mundial (42%); e igualmente menor que a média latino-americana (27%). O país está atrás de nações como a Índia (50%), Zimbabue (41%) e Bangladesh (33%). O único que se compara ao Brasil é o Kuwait, também com 17%. Quanto aos preços, a situação é inversa. O Brasil surge no topo da lista dos preços mais altos. Para efetuar a pesquisa, Furtado mediu a relação entre o valor da produção e os custos dos insumos e salários ("mark up"), que serve de base para a formação de preços. No Brasil, o "mark up" é de 52%, um dos maiores entre os 40 países estudados. Em economias mais avançadas, a média é de 28%. Na Alemanha o "mark up" é de 27%; no Japão, 30%; e nos EUA, 32%. O menor índice está com a Noruega, 15% (JC).