Com uma população de 437,7 milhões de habitantes, a América Latina abriga 270,2 milhões de pobres e 61,8% de seus habitantes, ou seja, 143,4 milhões de pessoas (32,8%) vivem em miséria absoluta. Estes números foram divulgados ontem, em Quito (Equador), num estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O documento mostra que o país com o maior número de miseráveis é o Brasil. Os dados do documento Desenvolvimento sem Pobreza, distribuído pelo PNUD na II Conferência Regional sobre Pobreza na América Latina e Caribe, que se realiza nesta capital desde o último dia 20, mostram que o número de latino-americanos pobres se elevará a 300 milhões no ano 2000. Para combater essa pobreza só em setores prioritários como o de habitação, saúde, serviços básicos e educação seriam necessários US$282 bilhões que representam mais de 70% da dívida externa regional. Segundo o estudo, 203,7 milhões de latino-americanos (43,5%) estão sob a linha de pobreza e 209,8 milhões com suas necessidades básicas insatisfeitas. O estudo mostra que só 6,5% escapam dessa dramática realidade. Entre os países que têm habitantes abaixo da linha de pobreza, o Brasil aparece em primeiro lugar, com 62,3 milhões de pessoas nesta situação, 36% do total da América Latina. Depois vem o México (17,1%), a Colômbia (7,3%) e o Peru (6,8%). No Uruguai e na Costa Rica esta porcentagem não chega a 1%. O documento do PNUD expõe uma série de estatísticas comparativas da região com o contexto mundial, que indicam que a América Latina tem uma participação crescente na população mundial, decrescente na economia e no mercado mundial e crescente na pobreza do planeta (JC).