A determinação de prosseguir no combate à inflação, a resposta ao bombardeio de críticas que atingiram seu governo nas últimas semanas e, por fim, um apelo ao diálogo e à compreensão de todos os segmentos da sociedade, especialmente dos congressistas e governadores eleitos. Foram estes os principais pontos do pronunciamento feito pelo presidente Fernando Collor de Mello, em cadei de rádio e televisão, ontem. Além de voltar a condenar o lucro abusivo, Collor, empenhado em conservar como aliados os "descamisados" e os "pés descalços", fez um discurso em linguagem intimista e acessível, recorrendo por várias vezes à expressão "minha gente", que caracterizou sua campanha eleitoral. O presidente iniciou o discurso com um recado indireto ao líder do governo na Câmara, deputado Renan Calheiros (PRN-AL), que afirmou ter sido traído por Collor na disputa pelo governo de Alagoas: "Durante todo o processo eleitoral, em me mantive imparcial nas disputas estaduais, pois é assim que deve se comportar o presidente da República, para ser fiel aos princípios éticos de governo". Ele garantiu que o seu lado sempre será o do trabalhador, da família brasileira, dos mais humildes, dos que
34195 sempre sofreram e nunca tiveram nada (GM) (JC).