PESQUISA DO IBGE MOSTRA QUE RICOS DETÊM 51,5% DA RENDA

O rendimento total das pessoas acima de 10 anos, um universo de 110,2 milhões de indivíduos, somou US$246 bilhões aproxidamente no ano passado, equivalente a 61,5% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) do período, de US$400 bilhões, conforme calculos preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Esse dado absoluto, calculado a partir de número da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1989, revela o perfil da concentração de renda no país: do valor global da renda nacional, coube aos 50% mais pobres da população 3,7%, ou seja, US$12,3 bilhões, enquanto os 10% mais ricos abocanharam 51,5% deste montante, ou seja, US$126,6 bilhões. Os rendimentos do trabalho participaram com 85% dos US$246 bilhões, e os ganhos dos salários dos empregados, com 51,5%. "É importante destacar que, em anos anteriores, como em 1988, a participação do fator trabalho na renda nacional, medida pela PNAD, era mais gorda: 86,51%". Declinou também de 60,6% em 1988 para 51,5% em 1989, a presença dos salários nessa conta. Em 1981, o rendimento do trabalho participava com expressivos 91,78% da formação da renda nacional, levantada pela pesquisa do IBGE, e os salários, com 62,83%. No ano passado, alcançaram 15% do valor global dos rendimentos das pessoas os ganhos provenientes de outras fontes de pesquisa pela PNAD: aluguéis, aposentadoria, pensão, abono de permanência, salário-família, juros de aplicações de renda fixa, juros de poupança, dentre outros. Tal percentual supera o de 1988 (13,49%) e de 1981 (8,22%). "O fato é decorrência, em boa parte, da tendência dos indivíduos buscarem compensações financeiras às perdas salariais ou de outras origens, em conjunturas de inflação alta (GM) (JC).