DISTRIBUIÇÃO DE RENDA PIORA EM 1989

A concentração de renda no país aumentou durante a década de 80. Em 1981, 5% dos brasileiros mais ricos detinham 33,4% da renda nacional. Em 1989, essa fatia da população passou a controlar 39,4% do bolo de riquezas produzido no Brasil. Os 10% mais pobres, que participavam de 0,9% da renda, perderam 1/3 no ano passado e ficaram com apenas 0,6%. Os dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 1989. Na PNAD de 1989, o IBGE pesquisou 86 mil unidades domiciliares em todos os estados brasileiros. O índice de Gini-- criado por estatísticos italianos, mede a concentração de renda, comparando quanto detêm da renda nacional os grupos mais ricos e os mais pobres. Ele varia de zero a 1 e, quanto mais próximo de zero for o índice, menos concentrada será a renda-- mostra o crescimento da concentração de renda e foi usado para medir o grau de distribuição de riquezas no Brasil na pesquisa do IBGE. Em 1981, o índice Gini foi de 0,589. No ano passado, subiu para 0,652. De acordo com o levantamento do IBGE, 10% dos mais pobres-- 6,6 milhões de pessoas com rendimentos e acima de 10 anos-- tiveram no ano passado participação de 0,6% na renda nacional. Em 1986, com 1%, quando o Plano Cruzado esteve em vigor, os mais pobres tiveram a maior elevação percentual da década. Em 1981, a participação era de 0,9%. Os 10% mais ricos, que em 1981 participaram de 46,6% da renda nacional aumentaram sua fatia para 53,2% no ano passado. Os 5% mais ricos (faixa incluída entre os 10% mais ricos), que em 1981 participaram de 33,4% da renda nacional, tiveram no ano passado um percentual de participação maior: 39,4%. Os incluídos entre os 1% mais ricos-- 660 mil pessoas-- participaram, em 1981, com 13% da renda e, no ano passado, com 17,3%. os 50% mais pobres-- 33 milhões de brasileiros-- que em 1981 detinham 13,4% da renda, tiveram sua participação reduzida em 1989 para 10,4%. A PNAD demonstra que 60% dos mais pobres-- 39,6 milhões-- ganharam em 1989 até dois salários-mínimos reais por mês, repetindo o mesmo rendimento de 1981 e perdendo para o volume de dinheiro que receberam em 1986, quando tiveram uma renda de 2,6 salários-mínimos por mês. O maior crescimento de renda mensal coube aos 1% mais ricos, que em 1981 tinham rendimentos mensais de 40 salários-mínimos e, no ano passado, chegaram a 64,9 salários-mínimos mensais de renda. Apesar da queda de rendimento para os mais pobres e do aumento para os mais ricos, houve crescimento do rendimento médio mensal ao longo da década. Em 1981, o rendimento médio mensal era de NCz$442,00. Caiu em 1983 e 1984 e, em 1985, retomou o crescimento: o salário médio mensal foi de NCz$453,00. O maior valor foi em 1986: NCz$654,00. Em 1987 e 1988 houve queda e, em 1989, houve recuperação: o salário médio mensal passou para NCz$594,00 (O ESP) (JB) (JC) (O Globo) (FSP) (GM).