ACAREAÇÃO EM CPI COMPLICA FURTADO

O ex-secretário-geral do extinto Ministério das Comunicações, Rômulo Villar Furtado, refez ontem vários pontos do seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades na transferência do controle acionário da NEC do Brasil para o empresário Roberto Marinho. Furtado admitiu que recebeu passagens e estada em Nova Iorque, do empresário Mário Garnero, para testemunhar o fechamento da compra da Philips pelo grupo Brasilinvest, em 1981-- que acabou não ocorrendo. A CPI se reuniu ontem para promover a acareação entre o empresário Mário Garnero, do Brasilinvest, ex-proprietário da NEC, e Rômulo Villar Furtado. Garnero perdeu a NEC em 1986, por interferência do Ministério das Comunicações e da TELEBRÁS, conforme seu depoimento na CPI. Segundo Garnero, ele não aceitou ser um simples "testa-de-ferro" do grupo japonês e por isso foi vítima de artifícios para que fosse desfeita a sociedade-- como a liquidação extrajudicial do Brasilinvest e a suspensão dos pagamentos referentes a encomendas da TELEBRÁS à NEC, no valor de US$300 milhões. Essa suspensão acabou deixando a NEC em dificuldades financeiras e possibilitou a sua transferência para Roberto Marinho, alegou Garnero (JC).