A CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) começam na próxima semana entendimentos que poderão chegar a uma proposta unificada para ser levada ao fórum nacional de negociações, em Brasília. Este foi o resultado do encontro entre os presidentes da CUT, Jair Meneghelli, e da FIESP, Mário Amato, ontem, na sede da federação patronal, em São Paulo. Em entrevista coletiva, Amato procurou reduzir os efeitos da união frente ao governo, ainda que uma proposta consensual entre as partes possa ter o poder de modificar substancialmente a política de combate à inflação, que se sustenta, em parte, no controle de salários. O próprio Amato reconheceu, no entanto, a necessidade de negociar perdas salariais, e, à saída do encontro, o presidente da CUT disse que o governo tem algo a temer: "Capital e trabalho juntos são uma força que pode mudar o projeto econômico: ou será que o governo pensa que é o único agente da economia?"-- perguntou (JC).