Um presidente da República que não costuma oferecer a outra face; um
34034 presidente da República que não aceita que lhe pisem no pé-- assim o presidente Fernando Collor de Mello se autodefiniu em entrevista concedida ontem à Rede Globo, em Tóquio. Sem se referir diretamente às críticas dos empresários ao programa de estabilização da economia, o presidente disse que o governo "tem a mesma posição em relação aos empresários que tem em relação a qualquer outro setor da atividade brasileira". Collor disse que não é apenas o presidente daqueles que o elegeram. "Eu sou o presidente de 150 milhões de brasileiros, aí compreendidos também os empresários. Então, com todos eles em mantenho boas relações. Agora manter boas relações não significa que nós aceitemos passivamente toda e qualquer crítica", disse. Collor afirmou que preza o diálogo, mas "preza também o respeito à autoridade". E no momento em que essa autoridade possa estar ameaçada, "há uma reação forte, vigorosa", porque hoje no Brasil existe um presidente com consciência da responsabilidade que lhe cabe neste momento, "muito difícil na vida nacional". O presidente disse ainda que o programa de estabilização da economia" é correto e lembrou que as pessoas devem ser mais patrióticas, preocupar-se mais com o país e menos com o próprio bolso" (JC) (O Globo).