A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, está sendo aguardada com expectativa na próxima semana, em Paris (França), quando deverá falar, em duas ocasiões, no Fórum Internacional sobre Perspectivas Latino- Americanas. Trata-se de um seminário organizado pelo Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Isso porque a imprensa européia tem destacado as fortes divergências entre o governo e o empresariado do Brasil, em razão da rigorosa política monetarista que está provocando estragos consideráveis, obrigando inúmeras empresas, asfixiadas por uma taxa de juros de 30% ao mês, a recorrer à concordata. Na França, a área bancária também não tem facilitado as coisas para o Brasil, evitando renovar linhas de crédito de curto prazo ou reduzindo os prazos dessas chamadas linhas interbancárias, que permitem as operações dos bancos brasileiros no exterior. Essa pressão é exercida pela comunidade bancária internacional para forçar o governo brasileiro a ser mais flexível em relação à retomada do pagamento dos juros atrasados da dívida externa. O objetivo desse seminário é a troca de pontos de vista sobre os melhores caminhos para se restabelecer o fluxo financeiro para um desenvolvimento mais equilibrado da América Latina (O ESP).