ESTRATÉGIA PARA DÍVIDA EXTERNA DEVERÁ MUDAR

O presidente Fernando Collor de Mello mandará hoje um importante recado aos credores do Brasil durante seu discurso na Keidanren (Confederação das Indústrias do Japão), informou o porta-voz da Presidência da República, Cláudio Humberto Rosa e Silva. A comitiva de Collor espera que o presidente emita um sinal de que pretende adotar uma política menos radical na negociação da dívida externa. Esse sinal poderia ser a demonstração da intenção de pagar uma parte, ainda neste ano, dos mais de US$8,5 bilhões de juros vencidos desde junho do ano passado. O presidente também tentará convencer os integrantes de algumas das mais poderosas entidades empresariais de vários países a retomar ou iniciar investimentos no Brasil. Collor preparou-se para transformar seu contato com os representantes das grandes corporações japonesas no mais importante de sua viagem de quatro dias ao Japão. O presidente pretendia utilizar sua reunião na Keidanren apenas para atrair capitais japoneses ao Brasil, mas os últimos acontecimentos na área da dívida externa o levaram a incluir o assunto em seu discurso. No momento em que embarcava para o Japão, foi divulgada a contraproposta dos bancos credores, que pede ao Brasil um pagamento de US$2,5 bilhões de juros até o fim do ano. Nos contatos que manteve no Japão, a questão da dívida também foi discutida. O vice-presidente dos EUA, Dan Quayle, e o ministro do Comércio e Negócios Internacionais do Japão, Kabum Muto, criticaram durante audiências com Collor a posição inflexível do Brasil em relação à sua proposta de refinanciamento da dívida externa (O ESP).