A equipe da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, conta com um aprofundamento da recessão no mês de janeiro para baixar a inflação, que deve fechar este ano perto de 20% ao mês. A equipe econômica acredita que o primeiro mês do próximo ano será "negro", com uma forte retração nas vendas e queda da massa salarial do país, o que forçará a inflação para baixo. Este argumento foi apresentado ao presidente Fernando Collor de Mello, em reunião no Palácio do Planalto ontem, pela ministra Zélia Cardoso de Mello, para mostrar que a inflação começa a cair a partir de janeiro de 1991. Ela espera que a inflação fique em dezembro na casa dos 17%. O raciocínio da equipe de Zélia é que as empresas não terão condições de continuar concedendo antecipações salariais em novembro e dezembro, em função do pagamento do 13o. salário. Isto fará com que a massa salarial, que vem crescendo praticamente no mesmo nível da inflação em função da indexação informal, apresente queda em janeiro. Como as vendas normalmente caem em janeiro, os técnicos acreditam que no próximo ano esta retração será ainda maior do que em anos anteriores devido à redução da massa salarial. Além disso, o governo considera que a indexação informal levou os preços e salários a um patamar incompatível com a política monetária austera que o Banco Central vem praticando, o que deve ser observado em dezembro. A política monetária austera e a queda na massa salarial provocariam uma interrupção no processo de indexação informal da economia, fazendo a inflação cair. Ontem, o presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, disse que o governo não vai modificar a sua política, que levou a contração da base monetária (dinheiro em circulação mais reservas bancárias) de 0,2% em outubro. Eris disse não saber se os meses de janeiro e fevereiro "vão ser negros, cinza ou cinza claro", mas afirmou que o governo não pretende alterar a sua política de taxa de juros, porque isto depende da liquidez na economia. Já a ministra Zélia Cardoso de Mello disse que a alta da inflação de outubro em São Paulo foi provocada, entre outras coisas, pela decisão da prefeita Luiza Erundina de reajustar as tarifas do transporte urbano. "Não podemos esquecer que a prefeita aumentou o preço da passagem de ônibus em 40%. Além disso, houve um aumento de 20% no valor dos derivados de petróleo", disse. O secretário Nacional de Economia, Edgar Pereira, afirmou que o aumento dos combustíveis concedido ontem terá um impacto direto sobre a inflação de dezembro superior a 1%. Tanto Zélia como Eris procuraram desmentir oficialmente ontem que o presidente Collor tenha dado um prazo para que a inflação comece a cair. A equipe, no entanto, sabe que se a política econômica não começar a dar resultados a partir de janeiro o presidente deve fazer alterações no ministério ou no combate à inflação (FSP).