Economistas e empresários avaliam que a economia brasileira já ingressou em um novo processo de estagflação-- a combinação de estagnação econômica com elevadas taxas de inflação. A queda na produção industrial, a estagnação do nível de emprego e a inflação em ascenção caracterizam o processo. Caso tome maiores dimensões, os efeitos da estagflação podem aumentar o desemprego, inibir novos investimentos e gerar mais inflação. Yoshiaki Nakano, ex-assessro econômico da equipe do ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, afirma que a estagflação toma dimensões perigosas quando as indústrias cortam a produção. "As empresas já estão agindo assim, principalmente nos setores oligopolizados e monopolizados. Elas reduzem a produção e vendem menos, mas, em contrapartida, sustentam suas margens de lucro". Já estamos em estagflação, pois a produção está sendo diminuída e a
33911 inflação continua subindo, afirma Roberto Nicolau Jeha, diretor da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O setor em que ele atua deveria ter produzido 100 mil toneladas de papelão em outubro, mês em que as indústrias abastecem de embalagens para novembro e dezembro e, em alguns casos, para o primeiro trimestre. "Não atingimos sequer 85 mil toneladas", diz Jeha. Os indicadores de nível de produção e vendas da FIESP também apontam para baixo. O economista e deputado federal José Serra (PSBD-SP) afirma que o país está em estagflação. "O grande problema que temos para o próximo ano, especialmente para o início do ano, é saber qual vai ser o nível real de queda de atividade e quando a inflação vai ceder". A indefinição nesse processo, segundo Marcio Percival Alves Pinto, diretor-executivo do Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), inibe investimentos e aumenta as expectativas do setor empresarial (FSP).