O Brasil tem um número de pobres e indigentes, em termos relativos e absolutos, maior do que a média dos 19 países que compõem a América Latina. Esse dado surge com clareza em trabalho preparado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), organismo das Nações Unidas, sobre o tema "Magnitude da Pobreza na América Latina nos Anos 80". Os pesquisadores da CEPAL colheram dados próprios em dez países da sub- região: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela. Para os outro nove, usaram extrapolações de trabalhos estatísticos compatíveis. Resultado final: na média, a América Latina tinha, em 1986, 37% de pobres e 17% de indigentes. Já o Brasil, no mesmo ano, tinha 40% de pobres e 18% de indigentes. Em números absolutos, a CEPAL verificou que, em 1980, a população em situação de pobreza na América Latina chegava a 35,9 milhões de pessoas ou 41% do total. Seis anos depois, a porcentagem subia para 43% e o número absoluto já batia em 170 milhões. Os técnicos da CEPAL fizeram uma projeção, a partir das cifras de 1986, e concluíram que, no ano passado, a população em estado de pobreza correspondia a 44% do total ou 183 milhões de pessoas. Delas, 21% (a metade praticamente) era indigente (87,7 milhões). O relatório que acompanha os números faz uma correlação entre pobreza/indigência e distribuição desigual de renda, especialmente para os casos de Brasil e Colômbia. Depois de observar que, entre 1970 e 1986, diminuiu a porcentagem de pobres e indigentes nesses dois países, o relatório da CEPAL, afirma: "Os antecedentes disponíveis sobre distribuição de renda indicam que esses países se mantiveram entre os de mais alto grau de concentração distributiva no contexto regional, o que permite conjeturar que a melhoria em seus índices de pobreza teria repousado basicamente no aumento dos níveis de rendimento, mais do que em avanços significativos no sentido de uma maior equidade (na distribuição de renda)" (FSP).