GOVERNO ADMITE REVOGAR A MEDIDA PROVISÓRIA 256

O governo admitiu ontem revogar a MP 256, que fixa as regras para a reposição salarial, desde que seja definida uma política salarial alternativa através de acordo entre os empresários, trabalhadores e o próprio governo. O compromisso foi assumido pelo ministro interino da Economia, João Maia, para superar o impasse causado pela discussão das perdas salariais na quinta reunião do "entendimento nacional", realizada no Ministério da Justiça, em Brasília. A questão salarial foi o principal assunto da reunião. Os representantes dos trabalhadores disseram que, sem alteração na política salarial em vigor, a viabilidade da negociação nacional estaria ameaçada. O presidente da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), Luiz Antônio de Medeiros, apresentou a proposta de reposição da inflação dos meses de outubro, novembro e dezembro como "o mínimo necessário, no momento". O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, reivindicou a imediata revogação da MP 256-- que ele considera impeditiva da livre negociação salarial-- e a reposição das perdas salariais acumuladas desde março (cerca de 300%). Nenhuma das duas propostas foi aceita. Ficou acertado que as subcomissões de Assuntos Emergenciais e de Relações entre Capital e Trabalho receberão e examinarão as propostas de mudança na legislação salarial. A comissão central do "entendimento nacional" conhecerá os resultados desses estudos em reunião marcada para o próximo dia 13 (FSP).