COLLOR EXIGE COESÃO E UNIDADE DE COMANDO

Durante a sétima reunião de seu ministério, ontem pela manhã, no Palácio do Planalto, o presidente Fernando Collor exigiu coesão e unidade de comando de sua equipe e transparência total em cada ato do governo. "A sociedade nem tampouco eu próprio vemos com bons olhos os desentendimentos estampados nos meios de comunicação. Isso tem que parar", disse. A advertência foi feita na primeira parte da reunião, em que seu pronunciamento, de 25 minutos, foi transmitido pela TV. As diferenças de ponto de vista devem ser resolvidas entre nós, dentro de
33670 casa, afirmou. Ministros, secretários e seus porta-vozes autorizados, determinou Collor, devem falar profissionalmente apenas de suas áreas específicas de atuação. Repetindo afirmações da entrevista coletiva da semana passada, Collor voltou a repudiar interferências em sua administração. "Este governo não admite a existência de eminências pardas, de influências ocultas, internas ou externas", afirmou. O presidente escolheu o tema da classificação dos programas de TV por horários para abrir a segunda parte da reunião, já a portas fechadas, com duração de uma hora e 55 minutos. "Quero esclarecer que o que estamos fazendo em relação aos programas de rádio e televisão não é censura", disse Collor, lendo trechos da Constituição e da legislação em vigor que permitem a classificação de programas em livres e inadequados. Collor ouviu em seguida as exposições de ministros e secretários. Ao ministro da Infra-estrutura, Ozires Silva, determinou a rápida divulgação das razões que levaram à demissão o presidente do Lloyd Brasileiro, José Carlos Urrutigaray. Ao ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, que seja o interlocutor para discutir no Congresso Nacional os cortes de verbas no orçamento do governo federal para 1991. O presidente Fernando Collor fez ainda as seguintes afirmações durante a reunião: "Não admito manobras para desgastar este ou aquele auxiliar. Quem está no governo conta com a minha confiança e com o meu apoio". "Não permitirei que se coloque em risco o grande projeto de reconstrução nem que estamos empenhados para favorecer ou proteger pessoas ou grupos em particular". Collor defendeu ainda o secretário-geral da Presidência da República, embaixador Marcos Coimbra, acusado de envolvimento no caso PETROBRÁS. "O embaixador estava cumprindo sua função, que é acompanhar processos do governo", afirmou (JB) (FSP) (O ESP).