A crise econômica do país, com inflação e desemprego crescentes, está fazendo aumentar o número de brasileiros pobres, avaliam sociólogos e economistas consultados por este jornal. Segundo eles, em 1990 o índice de pobreza será maior que os 40% da população registrados em 1985-- taxa publicada em estudo da FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. "Hoje, pelo menos de 65 milhões a 70 milhões de brasileiros vivem na pobreza", afirma a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da UNICAMP, Maria Antonia Martins Galeazzi. "As pesquisas de 1990 devem apontar números mais elevados, porque neste ano o índice de pobreza deve ser significativamente mais alto", diz, considerando os indicadores da crise econômica. De acordo com pesquisa do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), o salário-mínimo não é suficiente para o trabalhador comprar a cesta básica de alimentos em São Paulo. O valor da cesta básica já superou o do salário-mínimo em três meses neste ano, até setembro. É a primeira vez que isso acontece com tanta frequência em um ano, desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 1959. Em setembro, a cesta básica custou Cr$6.189,43, contra os Cr$6.056,31 do salário-mínimo. Outras pesquisas do DIEESE também demonstram a queda do poder aquisitivo do salário-mínimo. Em fevereiro de 1959, por exemplo, equivalia a 93 kg de carne, ou 241 kg de feijão. No mês passado, pagava 14 kg de carne ou 79 kg de feijão (FSP).