O general Danilo Venturini, chefe do Gabinete Militar no governo Figueiredo, disse ontem, em Brasília, que o Brasil chegou ao domínio do ciclo do urânio radioativo em 1982, dois anos antes, portanto, de receber urânio enriquecido da China. Na semana passada, ao depor na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o programa nuclear paralelo, Venturini revelara, sob compromisso de sigilo por parte dos deputados e senadores, o país que havia fornecido o urânio. Ontem, a revista "Veja" chegou às bancas com a informação de que o país era a China, mas o general esquivou-se: "Estou moral e legalmente impedido de falar sobre esse assunto. O que posso dizer é que quando o Brasil adquiriu esse urânio, já havia dominado o seu ciclo de enriquecimento e comunicou isso ao país interessado", disse. Venturini assegurou, entretanto, que não houve nenhum tipo de compensação pelo fornecimento do urânio. "O único compromisso foi com o sigilo e com a garantia de utilização para fins pacíficos", declarou. Ele contou que em setembro de 1982 o Brasil chegou ao domínio do ciclo do urânio, com um teor de enriquecimento entre 0,3% e 0,4%, mas nada foi divulgado porque o então presidente João Baptista Figueiredo achou que a porcentagem era muito pequena (JB).