A participação da mulher na força de trabalho na América Latina deve saltar de 17,9% em 1950 para 27,5% no ano 2000. Mas ela continua sendo relegada aos empregos mais instáveis, que pagam menos e de menor produtividade no mercado. A previsão consta do relatório anual do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) "Economic and Social Progress in Latin America", divulgado ontem em Nova Iorque (EUA). A situação é particularmente crítica no Brasil, cujos indicadores sociais para as mulheres ficam em penúltimo lugar numa escala de um a cinco criada pelo BID. Numa comparação com 25 países das Américas, em que os EUA ficam em primeiro lugar, o modo como o Brasil trata suas mulheres o coloca em 20o. lugar. Apenas a Nicarágua, Honduras, Bolívia, Guatemala e Haiti são piores. O Brasil também é singularizado no estudo por discriminar a mulher no programa de reforma agrária. O plano brasileiro não inclui a mulher como beneficiária direta, ao contrário do que ocorre, em maior ou menor escala, nos programas de outros países da América Latina. Mas o Brasil acompanha, de acordo com o BID, o desenvolvimento médio, lento, da mulher na região. Em 1950, 43,6% das mulheres trabalhadoras no país estavam no setor de serviços (contra 49,2% da média da América Latina), contra 31% na agricultura (28,2% respectivamente) e 25,4% na indústria (22,6%). Em 1980, 65,7% das mulheres brasileiras empregadas estavam no setor de serviços (65,2% na América Latina), 15,3% continuavam na agricultura (14,9%) e a participação na indústria caiu para 19% (enquanto a da região caiu para 19,9%) (GM).