A proposta brasileira para a renegociação da dívida externa junto ao Clube de Paris, embutida no plano apresentado aos bancos credores comerciais, prevê o reescalonamento de US$18,15 bilhões. Os pagamentos do serviço dessa dívida seriam iniciados somente a partir de 1996, por um prazo de 16 anos. Serão alvo de refinanciamento todo o estoque da dívida considerada "contaminada"-- que já foi reescalonada no passado e não é honrada há vários anos--, mais os pagamentos que vencem em 1991 e 1992, relativos ao principal e os juros dos empréstimos obtidos até 1983 e ainda não renegociados, e os atrasados acumulados durante este ano. A meta é transformar estas três categorias de débitos em um novo principal, sobre os quais incidiriam juros capitalizados até o final de 1995. O país continuará pagando normalmente os juros e amortizações das dívidas contraídas após 1983, bem como os desembolsos devidos às agências oficiais excluídas do programa de reestruturação, cujo estoque total soma US$1,758 bilhão, de forma a atrair novos financiamentos. O governo retomará as negociações com o BIRD (Banco Mundial) em torno do projeto setorial de US$500 milhões para a reforma da política de comércio exterior. As conversações começam no próximo dia 29, com a chegada a Brasília, do vice-presidente da instituição para a América Latina e Caribe, Sahid Husain, e do diretor do Departamento Brasil do BIRD, Armeane Choksi (GM).