Duas horas após desembarcar em Brasília, vindo de Portugal, o presidente Fernando Collor de Mello convocou entrevista coletiva no Palácio do Planalto e advertiu que seus parentes, amigos e conhecidos não têm salvo-conduto para interferir em negócios do governo. "Eles não têm delegação do presidente para agir em seu nome", disse. A afirmação foi uma referência ao empresário Paulo César Farias por seu envolvimento na proposta de empréstimo feita à PETROBRÁS pela VASP, segundo denúncia de Luís Octávio da Motta Veiga, ao deixar a presidência da estatal, na semana passada. Collor deu prazo de cinco dias para que o novo presidente da PETROBRÁS, Eduardo Teixeira, apresente relatório com "análise absolutamente rigorosa, minuciosa, criteriosa" sobre o assunto. "O governo tem um compromisso absoluto com a transparência e com a lisura de seus atos", afirmou. Segundo Collor, "o governo tem que ter unidade de comando". E deste comando eu, em nenhum instante, abro mão. O presidente voltou a elogiar a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello-- "excepcionalmente bem na conduta da política econômica"--, reafirmou que quem estiver "destoando" de sua equipe deve demitir-se e, ao comentar a situação da economia, disse que as empresas mais ameaçadas de quebrar são as que "não atentaram para a necessidade de revisão de seus custos e de suas margens de lucro e não fizeram atenção à necessidade de se tornarem, o mais rápido possível, eficientes". Para Collor, o ajustamento econômico treuxe dificuldades para as empresas ineficientes, acostumadas aos "ganhos elevadíssimos no mercado financeiro" e à prática de "margens de lucros excessivamente elevadas". O mero repasse de custos para os preços, segundo o presidente, critalizou-se em anos de proteção, de paternalismo do Estado em relação à economia. E, agora, que expõe o parque industrial do país à competição com o produto estrangeiro, "só sobrevive quem for competente" (JB) (FSP).